
Com certeza esse foi o projeto que por enquanto mais deu prazer e trabalho de realizar, principalmente pelo resultado final totalmente retardado e obviamente pela nota obtida ao final da maratona de desenhos, pensamentos e milhôes de conversas, viagens entre outras coisas feitas durante todo o ano de 2008!
O projeto do planetério esta localizado na cidade de São José dos Campos-SP, cidade reconhecida por ser um grande polo de tecnologia aeroespacial, afinal, aqui na cidade temos o INPE, o CTA, o ITA, a Embraer e o Memorial Aeroespacial Brasileiro – MAB, que é onde o projeto esta situado.

Memorial Aeroespacial Brasileiro – MAB – São José dos Campos-SP
Existem milhões de coisas para serem postadas para que o projeto consiga ser entendido em sua totalidade, então dividimos as coisas e vamos começar pelo início ( lol )…
eis aqui o partido arquitetônico do TFG entitulado: Planetário Cosmos, uma proposta de socialização do conhecimento!
“Em 13 de maio de 2007 recebemos pelo correio de presente de aniversário um livro de uma amiga distante, a dedicatória do presente dizia o seguinte:
“Quando sabemos o quão pequeno somos no universo, entendemos que proximidade não depende de distância e sim da sintonia que une qualquer parte, qualquer alma e quaisquer pessoas que ainda olhem para o céu com os mesmos propósitos: encontrar seu lugar entre as estrelas…”
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Observando o céu noturno repleto de estrelas com o brilho da Via Láctea cortando o mesmo, entendemos porque a astronomia é a ciência que mais traz fascinação e mistérios a imaginação humana, onde nos mais de cinqüenta séculos de estudos das estrelas ainda existem muitas perguntas sem respostas e mistérios a serem solucionados.
Algumas perguntas e mistérios perduram desde quando nossos ancestrais olhavam para o céu em sua infinita dúvida e curiosidade, e hoje estes mesmos questionamento antigos são feitos por nós diante do brilho das mesmas estrelas: Quem somos? Onde estamos? De onde viemos? Para onde vamos?
De certo e verdade somente uma: somos feitos das mesmas matérias que são compostas as estrelas e quando percebemos o quão pequeno somos no universo isto significa uma mudança nos nossos conceitos, uma vez que podemos considerar que o estudo da astronomia molda o caráter e ensina a humildade.
Nosso planeta Terra dentro do contexto do universo é somente um pontinho azul em meio à imensidão do oceano cósmico, mas apesar de ser um grão de areia dentro desse oceano uma coisa torna nosso planeta único, especial e privilegiado em relação ao restante do universo: na Terra existe vida!
Se entendermos o quão magnífico isto significa logo também entenderemos que a vida e o universo são um em sua essência, onde tudo é um e um é tudo.
Refletindo sobre sermos feitos da mesma matéria que são compostas as estrelas, podemos dizer que o cosmos é o todo e nós somos um, mas como um, nós somos o todo por sermos a vida, e é dentro deste pensamento que o planetário será construído.
A idéia principal aqui é o sentimento de que não importa o quão pequeno somos no universo, nós somos privilegiados e fomos agraciados com a vida e tudo o que nós fazemos aqui em nossa curta jornada pelo planeta de certa forma é único e especial para o universo.
Estamos neste momento sonhando dentro de um sonho muito maior, onde tudo e todos estão interligados com o todo, sendo que especial ninguém nasce, pois especial assim se torna, e algumas estrelas neste imenso aglomerado de sonhos ainda faltam brilhar.
Diante destes princípios inicialmente apresentados, somente uma palavra pode definir o nome do projeto como um todo, estando perfeitamente de acordo com os princípios e idéias aqui apresentados, a palavra Cosmos. Cosmos deriva do grego ‘kósmos’, que significa disciplina, é o universo em seu conjunto, estrutura universal em sua totalidade, desde o microcosmo (um) ao macrocosmo (tudo).
Seguindo e colocando estes conceitos iniciais como base, o Cosmos – Planetário de São José dos Campos, obedecerá aos seguintes princípios:
• Como o telescópio de Galileu: Como planetário, este projeto é um forte instrumento de socialização do conhecimento, onde a idéia básica é fazer com que o projeto seja para os dias atuais o que o telescópio de Galileu Galilei foi para a sua época: um instrumento que faça com que as pessoas enxerguem aquilo que elas não podiam enxergar antes, pois afinal nós nunca tivemos tanto conhecimento em mãos e soubemos tanto sobre o universo, mas ao mesmo tempo a sociedade como um todo nunca foi tão desinformada e leiga a cerca do tema astronomia.
Socializar o conhecimento significa mais do que democratiza-lo, ou seja, tornar este conhecimento acessível a todos. Significa dar condições de acesso aos campos do conhecimento, tendo-o como forma de melhoria do nível cultural de sua população.
Sendo assim, entender o contexto e a história da astronomia é entender um pouco mais do contexto e da história da humanidade e de certa forma como as coisas são como são hoje, afinal, a astronomia é a mais antiga das ciências e sua trajetória e avanços estão diretamente ligadas a avanços no decorrer da história humana.
• Passado, presente e futuro: O universo e a Terra sempre vão continuar seus movimentos mesmo quando nós partimos como se nada tivesse acontecido, o tempo é o senhor da vida e é a alma da nossa sociedade desde os primeiros grandes monumentos astronômicos que funcionavam como calendários para os antigos.
Por não termos o poder de pará-lo uma das metáforas a ser empregada no planetário será a da dinâmica, onde assim como as estrelas, o planetário sempre estará em movimento seguindo o seu caminho e sendo um com o universo, contendo algumas alas que podem ser dinâmicas e apresentar tanto internamente a sensação de que o planetário esta se movendo através da cenografia adotada.
Evoluindo o pensamento para o campo do conteúdo a ser apresentado, a filosofia adotada para a socialização do conhecimento neste projeto será uma linha do tempo sobre o passado (De onde viemos?), uma resposta para o presente (Onde estamos?), e um sonho para o futuro (Para onde vamos?).Tudo isto para tentar entender quem somos.
Dentro deste contexto, o planetário terá sua filosofia organizada da seguinte forma:
- Passado = Sociedade, Cultura e História: deverá conter uma ala voltada para a história da astronomia e dos nomes dos maiores astrônomos e astrofísicos que passaram pela Terra.
Os nomes a serem apresentados a população com atenção especial são: Claudius Ptolomeu, Nicolau Copérnico, Tycho Brahe, Johannes Kepler, Galileu Galilei, Isaac Newton, Edmond Halley, Gustav Kirchhoff, Albert Einstein, Edwin Hubble, Carl Sagan, Stephen Hawking.
A idéia deste conceito segue a linha sobre a célebre frase de Isaac Newton quando o mesmo descobriu a lei da gravitação universal: “se enxerguei longe, foi porque me apoiei nos ombros de gigantes!”.
Estudar a história é a fonte para enxergar uma luz para o futuro e acredito que apresentando os grandes feitos destes doze célebres cientistas será possível compreender um pouco mais da genialidade da mente humana e a grande contribuição para a humanidade que somente uma pessoa pode trazer, desta forma incentivando e motivando a população a pensar e lutar pelo seu lugar entre as estrelas.
- Presente = Socialização do conhecimento: será o instrumento maior de socialização do conhecimento astronômico, onde através das sessões de projeções deverá transmitir o contexto no qual estamos inseridos no universo presente e explorar ao máximo o conceito de que a astronomia é uma ciência capaz de moldar o caráter e ensinar a humildade, para que haja uma reflexão sobre o contexto do homem no universo.
A grande evolução em relação aos primeiros planetários faz com que os planetários atuais funcionem como um espaço multifuncional ampliando sua capacidade de apresentação de conteúdo sendo possível fazer estudos do céu ou visitar marte em uma realidade 3D interativa.
Esta interatividade é um dos grandes trunfos do projeto, uma vez que poderemos aliar conhecimento e interatividade com a fascinação que os planetários causam a quem o visita.
- Futuro = Educação e Pesquisa: Foi através da pesquisa e desenvolvimento de tecnologia que o ser humano conseguiu realizar grandes façanhas que antes eram somente sonhos, sendo assim, o planetário deverá ter uma ala exclusiva para educação e pesquisa, pois são através destes instrumentos que os sonhos de amanhã serão realizados.
Nessa linha o planetário deverá ter uma especial atenção para com as crianças, pois acreditando que o futuro esta nas mãos delas e que elas serão os futuros astrônomos e pesquisadores que estarão administrando o planetário, estaremos garantindo o contínuo interesse da sociedade pela astronomia, logo, o planetário deverá ter uma filosofia voltada para as crianças.
• Proporção áurea: Não importa em que ponto do universo você esteja, as leis da física e da vida se aplicarão da mesma forma que aqui na Terra.
Quando estudamos o universo e o desenho da vida, percebemos que por mais diferentes que sejamos uns dos outros e dos astros, um padrão de desenho se estabelece com todos: a proporção 1,618.
Das nebulosas e mandalas em espirais, das asas de uma borboleta ao nosso próprio corpo, sempre se mantêm o padrão de proporção 1,618.
A idéia é utilizar as proporções e regras que se aplicam a vida dentro do projeto, logo, o planetário será concebido seguindo o quanto possível às medidas da proporção áurea.
Sendo assim, se retomarmos ao estudo do universo, iremos encontrar um elemento que só existe em abundância em um único pontinho azul chamado Terra: a água.
Como observado durante os estudos de plano de massa do terreno, o lago é o melhor local para a implantação do planetário dentro de um contexto do complexo astronômico do Museu Aeroespacial Brasileiro (MAB), sendo assim podemos dizer que o lago, o planetário e o MAB irão fazer jus a rede de sonhos interligados e vão ser um com o todo, mostrando que é possível o ser humano conviver em harmonia com o entorno do planeta sem a necessidade de nos destruirmos e destruirmos a fonte da nossa vida com o dom da capacidade de evolução e pensamento que nos foi dado, revelando enfim, a filosofia máxima do projeto, onde tudo é um e um é tudo.
Através deste projeto acreditamos estar ajudando a criar uma arquitetura que cause a surpresa e desperta sentimentos, levando as pessoas a realmente terem a sensação de tocar o céu sem ter saído da terra.
Esta é uma das grandes mágicas das quais a arquitetura é capaz: despertar sentimentos, mexer com a imaginação humana e levar as pessoas a terem a sensação de tocar o céu sem ter saído da terra, pois a mesma arquitetura que nos prende ao terreno nos liberta para o pensamento.”
Husky